Ao anunciar ontem que vai cumprir o prazo regimental de análise da PEC 6X1, Davi Alcolumbre disse que a votação será a oportunidade de cada um se posicionar sobre o tema e votar de acordo “com sua consciência”.
O presidente do Senado afirmou que não sabe como os colegas vão votar, mas “sabe como ele votará”. Isso significa que até ele está disposto a registrar seu voto para ajudar na aprovação, o que não é costumeiro para quem preside a sessão.
Há disposição clara de Alcolumbre em votar o mérito a partir da semana que vem. Ele destacou o compromisso em colocar a PEC para análise do plenário.
O alinhamento de Alcolumbre com a pauta do governo Lula está atrelada ao seu futuro como presidente do Senado. O fortalecimento da Direita na Casa e a disposição do bloco em ter candidato próprio no ano que vem empurra Alcolumbre para o barco petista.
Ontem, a federação PP-União fez reunião e decidiu apoiar Flávio Bolsonaro. Davi Alcolumbre não participou, assim como outros parlamentares da federação ligados ao governo Lula.
A primeira das cinco sessões de discussão da PEC aconteceu com um quórum superior a 50 senadores presentes. Alcolumbre manteve a PEC como item único da pauta. A sessão foi semipresencial.
O objetivo do presidente da Casa era iniciar a contagem de prazo regimental para votação do mérito. No entanto, havendo articulação política que garanta mais de 49 votos necessários para a aprovação, pode-se votar a quebra de interstício e entrar na análise de mérito antes.
Se decidir cumprir todas as cinco sessões (três já estão agendadas para esta semana), Alcolumbre poderá votar o mérito na semana que vem. No último esforço concentrado, há um mês, a PEC foi aprovada na CCJ e não foi apreciada no plenário porque a oposição manobrou para esvaziar a sessão, derrubando o quórum. O governo optou por não insistir na votação porque não tinha certeza da aprovação naquele momento.
De lá para cá, a PEC virou um trunfo para o governo Lula no segundo turno, mas a desvantagem do petista imposta pelas urnas coloca em dúvida sua aprovação agora.
Equipe BAF – Direto de Brasília
Foto: Ton Molina, Agência Senado


