Numa segunda-feira atípica para os padrões brasilienses, Jair Bolsonaro aproveitou o embalo do desgaste de Ernesto Araújo no Ministério das Relações Exteriores para promover uma reforma ministerial. Das seis mudanças confirmadas nesta noite, surpreendeu a deputada Flávia Arruda (PL/DF), presidente da CMO, ir para a Segov. Até pouco tempo atrás, Flávia era apenas a mulher do ex-governador do DF José Roberto Arruda, preso e cassado por corrupção. Flávia se tornou uma figura de confiança no PL. Há tempos o PL reivindicava uma cadeira ministerial, ainda que tenha sido contemplado com cargos do segundo escalão. Na semana passada, o BAF informou que além da preocupação com a pandemia, o recado verbalizado por Arthur Lira também tinha seu componente de insatisfação do Centrão com a demora na entrega de cargos mais robustos. Republicanos e PSD já estão na Esplanada dos Ministérios, sem falar nos ministros do DEM, que o partido não reconhece como sua indicação. Com a reabilitação política de Lula e o fato do PL não descartar uma possível aliança em 2022 com o petista, Bolsonaro tratou de agradar logo mais um partido do Centrão. Entre os militares, o presidente se livrou de quem era menos fiel a ele: Fernando Azevedo e Silva, agora ex-ministro da Defesa. A tendência é trocar também o comandante do Exército, general Edson Pujol, membro da ala moderada das Forças Armadas. Luiz Eduardo Ramos e Walter Braga Netto trocam de postos e seguem como peças submissas às ordens de Bolsonaro. Já o novo chanceler, Carlos Alberto Franco França, entra no momento de forte pressão do Congresso pela troca de ministro das Relações Exteriores e terá muito trabalho para reconstruir pontes com países parceiros.

Daiene Cardoso – Direto de Brasília

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