A bancada ambientalista no Congresso vem fazendo reuniões semanais com a Embaixada dos Estados Unidos para repassar percepções sobre o desmatamento no Brasil. Ao BAF, o coordenador da Frente Ambientalista do Congresso, Rodrigo Agostinho (PSB/SP), disse que as sinalizações do governo norte-americano são de que não haverá nenhum acordo de imediato com o governo de Jair Bolsonaro enquanto não houver gestos significativos, como diminuição dos índices de desmatamento, plano consistente de atuação e mudança de postura do governo em relação aos povos indígenas. Apesar da mudança no Itamaraty, que foi bem vista no exterior, a expectativa é de que o discurso de Bolsonaro na Cúpula do Clima seja uma repetição do que ele já disse na carta a Joe Biden, que o governo brasileiro fique na defensiva e não apresente nada novo. Os norte-americanos já sabem dos planos de regularização fundiária e do incentivo ao garimpo na Amazônia, por isso a Frente avalia que o governo brasileiro não conseguirá avançar no pleito para entrada na OCDE e não destravará o acordo entre a União Europeia e o Mercosul. Se antes o Brasil sofria apenas pressão dos europeus, agora ela virá também dos Estados Unidos. Promessas sem gestos não vão convencê-los de que o País tem compromisso real com o meio ambiente, acredita a Frente. “O Brasil está encurralado”, concluiu Agostinho.
Daiene Cardoso – Direto de Brasília
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