A tão aguardada fala do presidente Bolsonaro na cúpula do clima procurou agradar aos ouvintes internacionais e, em certa medida, parecia totalmente desvinculada das ações do Ministério do Meio Ambiente. Bolsonaro anunciou redução de emissões em 40% até 2030, o que soa como música aos líderes internacionais, e afirmou que intensificará a fiscalização contra desmatamento, o que não se coaduna com a realidade atual, inclusive com denúncias contra o ministro Ricardo Salles de atuar justamente na contramão dessa iniciativa. Como já era de se esperar, aproveitou o momento para pedir contribuição da comunidade internacional – mas não mencionou que o país abriu mão de doações da Alemanha e Noruega. A estreia de Bolsonaro numa cúpula coordenada pelo presidente Joe Biden serviu como sinal de que o Brasil quer se adaptar ao novo inquilino da Casa Branca, inclusive com redução no tom de beligerância.
Chico de Gois – Direto de Brasília
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