O governo lançou nesta semana o Combustível do Futuro, um programa para incentivar novas tecnologias de combustíveis como etanol, hidrogênio e bioQAV. A iniciativa é uma clara tentativa do Executivo em frear, no Brasil, a tendência de eletrificação da frota, que avança na Europa e nos EUA. O MME defende um modelo que considere os dois, que tem chamado de bioeletrificação. Mesmo que os preços dos carros elétricos ainda sejam impraticáveis para maior parte da população, o apelo do carro elétrico como mais ‘limpo’ está pegando no Brasil, o que tem gerado preocupação na indústria de combustíveis. Uma das ideias do governo é mudar a classificação para considerar as emissões do poço a roda, e não apenas do carro em si no Programa de Etiquetagem Veicular. Com isso, carros flex podem ser considerados mais limpos do que determinados modelos híbridos no mercado atual, por exemplo. A partir do novo programa, serão estabelecidas novas metas para o futuro do Rota 2030, onde a eletrificação da frota também tem ganhado espaço no debate, especialmente no Congresso Nacional. Outra proposta é criar uma regulamentação para aumentar o nível de captura e estocagem de CO² na produção de biocombustível e, com isso, poder aumentar o número de CBIOs emitidos pelos produtores. Segue ainda a estratégia de exportar tecnologia de etanol para outros países, com foco em regiões como África e Ásia, para tornar o combustível uma commodity global – um desejo antigo do setor. O programa deve trabalhar também outros eixos, como desenvolvimento de mercado de bioquerosene de aviação, com possibilidade de começar a estipular mínimo de mistura a partir de 2027; corredores verdes para abastecimento do frota pesada com gás, que pode ganhar força com a regulamentação da Lei do Gás; e combustíveis marítimos de baixa emissão. A expectativa é que em 180 dias o grupo, que reúne integrantes de vários ministérios, consiga entregar ao CNPE estudos e propostas de políticas públicas necessárias para alcançar os objetivos.
Equipe BAF – Direto de Brasília
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